A explosão de redes sociais trouxe uma liberdade de expressão quase sufocante, permitindo que cada um demonstre a sua maneira suas opiniões sobre o que acontece no Brasil e no mundo. Acho isso fantástico. O problema é que as vezes somos obrigados a ler algumas coisas meio desordenadas. A bola da vez é reclamar do investimento de dinheiro público com a vinda do Papa Francisco ao país para o evento da Jornada Mundial da Juventude.
Logicamente que, com os anseios dos últimos meses, em que os brasileiros estão saindo ás ruas para questionar o descontrole de gastos do Governo, era de se esperar que esse tipo de reclamação também entrasse em pauta, mas, contudo, sejamos justos, por muito tempo se calou com investimentos muito maiores em eventos bem menos, digamos assim, educativos. Ou alguém aí viu reclamações quanto a investimentos do dinheiro público em eventos de praxe como o Carnaval do Rio de Janeiro?
Certamente, ano que vem, ninguém estará "desocupado" demais para reclamar dos gastos absurdos que a prefeitura do Rio de Janeiro faz para colocar as escolas de samba desfilando na Sapucaí. A justificativa é sempre a mesma: o investimento é para o turismo. Não seja por isso, a expectativa é de que a JMJ tenha impacto de R$ 1,2 bilhões de reais na economia (Fonte: G1). Então, lucrar por lucrar, estamos quites, aliás, a JMJ ainda vai atrair mais grana, justamente por ser um evento atípico ocorrendo no país.
Olha que nem falei ainda de eventos específicos dos Municípios, mas, vejamos o ranking:
RANKING DE GASTOS DE PREFEITURAS E O DF COM O CARNAVAL 2013
| Rio de Janeiro – R$ 35 milhões | Manaus – R$ 3,1 milhões | Macapá – R$ 100 mil |
| São Paulo – R$ 33,9 milhões | João Pessoa – R$ 2,1 milhões | Rio Branco – R$ 100 mil |
| Recife* – R$ 32 milhões | Belém – R$ 2 milhões | Boa Vista – zero |
| Salvador* – R$ 30 milhões | Florianópolis – R$ 1,8 milhão | Goiânia – zero |
| Vitória – R$ 10 milhões | Curitiba – R$ 540 mil | Maceió – zero |
| Distrito Federal – R$ 7 milhões | Campo Grande – R$ 500 mil | Palmas – zero |
| Porto Alegre – R$ 6 milhões | Natal – R$ 500 mil | Porto Velho – zero |
| Belo Horizonte – R$ 3,5 milhões | Teresina – R$ 400 mil | São Luís – zero |
| Fortaleza – R$ 3,5 milhões | Cuiabá – R$ 350 mil | Aracaju – Não informou |
- Fonte: Prefeituras (http://carnavalsp.tv/noticias/prefeitura-investiu-r-339-milhoes-no-carnaval/)
Me desculpem, precisei frisar a cidade maravilhosa, em primeiríssimo lugar. Que tal R$ 35 milhões por mulheres nuas em cima de carros alegóricos que esbanjam tecnologia e enriquecem empresários em ramos, digamos assim, de natureza duvidosa?
Preciso ainda fazer um rápido comentário sobre a minha cidade. O carnaval fora de época de Natal, capital do Rio Grande do Norte, mais conhecido como Carnatal, realizado pela Destaque Promoções, responsável pelo evento, apesar de ser privada, recebe bombardeios de investimentos por parte da prefeitura da cidade, como é do conhecimento de todos, esse é o "apoio" dado a uma festa que resulta em inúmeras ocorrências policiais, brigas, abuso de drogas e deixa a cidade extremamente suja e fedorenta.
Quem não se lembra que, ano passado, o então prefeito Paulinho Freire anunciou que não iria investir em decorações natalinas porque "Natal não tinha o que comemorar", os rombos nos cofres públicos impediam qualquer investimento desse tipo. Será que no Carnatal também foi assim? Afinal Paulinho Freire, diga-se de passagem, sócio da Destaque Promoções (sim, aquela mesmo do Carnatal) não teria interesse no sucesso do evento não é mesmo?
Com isso, me surgem falsos moralistas, reclamando do investimento público em um evento religioso que, independente de sua carga financeira, escândalos e problemas internos (característicos em qualquer camada social, religiosa ou profissional), possui um conteúdo moralmente conivente com o comportamento social de jovens que buscam no equilíbrio espiritual a manifestação do seu caráter e a busca dos seus objetivos.
Reclamemos das bundas, dos carros alegóricos, do cheiro de urina que invade as avenidas depois dos carnavais, do sensacionalismo de uma festa que INSISTEM em alegar "manifestação cultural", mas passa longe disso, o que é vendido é prostituição, sexo, drogas e descontrole em corpos esteticamente modificados espalhando uma cultura inútil que põe em declínio das crianças aos idosos.
Me envergonho de quem busca na HIPOCRISIA gerar suas opiniões fundamentalistas. Me admiro que tais opiniões não sejam direcionadas pelo que realmente vale a pena. A transparência de gastos públicos DEVE sempre ser cobrada, mas por favor, não cobrem de um evento religioso, se vocês não cobram daquilo que de fato, desmoraliza a nossa sociedade.
=)





