quarta-feira, 5 de junho de 2013

OS DESENTENDIMENTOS EM NOME DE DEUS



Apesar de todas as crises políticas e sociais que o Brasil enfrentou nos últimos anos, sendo a grande maioria como foco na violência, nunca conceitos tão pessoais viraram palco de um verdadeiro duelo de egos e pingos nos "is". De um lado, um Pastor tradicionalista, com afirmações polêmicas em todo o seu ministério. Para citar algumas, Feliciano diz que os negros africanos carregam em si uma "maldição dos tempos de Noé", que a "AIDS é o câncer dos homossexuai"s e que o então ex-integrante dos Beatles, Jonh Lennon foi assassinado por enfrentar a Deus, deixando claro que, se pudesse estar lá naquele momento, retiraria o pano do rosto do músico e afirmaria: "me perdoe Jonh, mas esse primeiro tiro é em nome do Pai, esse [segundo] é em nome do Filho e esse [terceiro] é em nome do Espírito Santo."

Achou estranho? Isso não é nada. Os boatos de que o Pr. Marco Feliciano foi colocado no cargo de Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de maneira manipulada são muito fortes, visto que não se compreende que um homem sem qualquer histórico político em defesa dessa causa (mas sim contrária a ela) possa assumir tal posto. O fato é que a capacidade do Pr. Marco Feliciano assumir um cargo desse é extremamente contraditório. Suas afirmações no decorrer do seu Ministério podem até não influenciar ninguém na época em que foram ditas, mas como ocupante de um cargo político importante, não se pode desconsiderar seus argumentos, pensamentos e ideologias, por sinal, extremamente contrários a sua função. Homofóbico e racista são o de menos. Feliciano ganhou o ódio de toda a massa social que tolera a diversidade, 150 líderes cristãos se declararam contra o Pastor, que acredita estar realizando a vontade de Deus.

Enquanto isso, uma outra classe parece ter visto uma brilhante oportunidade de atacar aquilo que fere suas ideologias. O deputado Jean Wyllys, por sinal, ex-participante do reality show da rede globo, Big Brother Brasil, parece ter conseguido deixar os estereótipos de "vencedor milionário de reality shows" de lado e passou a influenciar diretamente na luta pelas causas de grupos de minoria, ao seu ver, apenas grupos GLS, será que porque ele mesmo é homossexual assumido? Jamais saberemos. O fato é que, para externar sua fúria contra as alegações de líderes cristãos, Jean Wyllys não economiza críticas, deixando a entender em seus posts que o cristianismo alieniza a população, manifestando-se contrário aos praticantes de tal fé, por os considerarem retrógrados. O que Jean Wyllys esqueceu de mencionar, é que os homossexuais também eram assim considerados por muito tempo, praticantes de libertinagens, promíscuos, sujos e incapazes de um crescimento qualquer, seja ele profissional ou intelectual. Quem está sendo preconceituoso?

Eis então, meus caros colegas, dois oportunistas. Ou você acha mesmo que os dois estão lutando por direitos da maioria? Acha mesmo que eles se importam com o seu dia a dia? Com a seca do nordeste? Com a falta de alimento na mesa das pobres famílias do sertão ou do seu familiar que está paralisado em uma maca no hospital público da sua cidade? As minorias necessitam de urgência ou os brasileiros que pagam impostos e não vêem recursos básicos disponíves para o seu socorro?

Um bom político é avaliado pelas suas prioridades. Ainda que o mesmo alcançe benefícios próprios, sem a humanização, ele se torna um mero tirano. Ver duas autoridades se degladiarem por valores que o tempo irá se encarregar de manifestar-se na sociedade em rios de tolerância é lamentável. Porque os mesmos continuarão recebendo seus salários, andaram de carros do ano, morarão em seus condomínios fechados, enquanto grupos gays e cristãos passarão a se agredir em nome de Deus ou da "liberdade" de princípios e valores. E o que são valores? O que são princípios? Os de Deus? O dos gays? E quem são os gays? Quem é Deus? Quem é Jean Wyllys e quem é Marco Feliciano para decidir a maldição e a benção de uma sociedade? Nós precisamos arrancar do poder aqueles que insistem em pensar que os holofotes continuam acompanhando seus passos. No fim de tudo, Jean Wyllys continua no Big Brother e Marco Feliciano em sua igreja, só que agora, a audiência não são fiéis ou fãs da Globo, mas uma sociedade inteira, indignada por seus atos irresponsáveis.

E diziam que o rock era bagunça. Nem acho. A cantora Pitty, baiana e alheia as discussões foi bem direta e honesta: "Esses dois deveriam ser processados por crimes contra a humanidade."

De fato, processados e condenados, eu diria.

Um comentário:

  1. Esses dois parecem diferentes, mas são mais parecidos do que gostariam...

    ResponderExcluir