Eu sempre disse a todo mundo que chegava pacientemente em casa depois de quase três horas de trânsito por causa de protestos por aumento da tarifa em Natal com orgulho porque achava (e acho) a causa não só justa, mas justíssima. Mesmo no primeiro protesto, que tomou proporções exageradas, com a depredação de transportes, ficando bem claro que algumas pessoas se utilizaram do movimento para viver seus momentos de aventura, releva-se. Mas hoje quando eu estava voltando pra casa e vi aquela fila enorme de carros eu pensei: "está tendo outro protesto?". Ao mesmo tempo que eu pensava na diminuição da tarifa (que passou de R$ 2,40 para R$ 2,30, embora saibamos que não foi por causa do SETURN e muito menos da prefeitura) eu já fui me questionando que o movimento deveria ter se precipitado menos em fechar a rodovia mais uma vez em tão pouco tempo, ainda mais com decisão judicial a favor da Polícia para reprimir os manifestantes.Quando vi os pneus sendo queimados então, já percebi que o foco não era mais simplesmente protestar, mas meio que forçar uma atitude revolucionária de um movimento que não estava mais se preocupando com os limites que isso poderia causar, não apenas a eles mesmos, mas as pessoas que transitam pelas vias. TODO e QUALQUER ato violento descaracteriza o interesse público de maioria, porque permite que o ser humano passe para uma reação involuntária emocional que, nesses casos, dificilmente é por um bem comum, mas pela satisfação própria de descarregar sua raiva ou frustração.
O motivo do protesto é justíssimo! Dupla função de motorista e a 2º passagem mais cara do Nordeste, é revoltante mesmo, tem que sair as ruas, reivindicar, mostrar que não está satisfeito! Mas as ruas estão todas pichadas com frases imorais, fazendo alusões ao movimento, termos pejorativos, pornográficos, xingamentos. Já pensou passar com seu filho pequeno que está aprendendo a ler e ter o desprazer de vê-lo lendo frases como a que se encontram nas vias próximas ao Natal Shopping? Isso é um ato vergonhoso, que sai da esfera dos que estão indignados e entra na esfera daqueles que se abstém de concordar com o movimento. Ninguém é obrigado a aderir e nem a se revoltar por causa da roubalheira da SETURN. Sabemos, é um absurdo! Mas tem gente que não se importa e essas pessoas têm todo o direito de serem privadas desse tipo de agressão. Acho que paralisar o trânsito é inevitável, seja quão pacífico o protesto venha a ser. Mas quando fazemos isso de forma agressiva, oprimindo a própria sociedade, levando-a ao medo da violência e da agressão por causa de um interesse que, por mais que atinja a maioria, não está de fato, agindo naquele momento por ela.
Acho muito importante os movimentos. Na verdade, como graduado em Direito, vejo a democracia como o berço da legitimação da nossa voz no ordenamento jurídico brasileiro. Mas por vezes, os protestos se excederam, muitos se aproveitam da boa intenção desses movimentos para se promover, para gerar baderna ou simplesmente contrariar as autoridades. Mas isso não é um jogo, onde se brinca de revolução. Estamos lidando com vidas. Ainda acredito que o melhor protesto é aquele que se organiza, primeiramente, para conscientizar a sociedade, mostrando seus pontos, seus ideais, a necessidade de protestar e pacificamente permitir que quem está longe dessa realidade, veja o quanto é necessário reivindicar.
Mas parar a vida das pessoas com pneus queimados pra mim não é protesto, não é reivindicação. É simplesmente um grito, sem som audível, sem ideias entendíveis...sem sentido.
Fonte e fotos: http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/manifestacao-contra-aumento-da-tarifa-de-onibus-ocupa-faixas-da-br-101/252235





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