domingo, 22 de dezembro de 2013


 

A nossa querida cidade, já embalada pelas luzes natalinas (não muito honrosas, diga-se de passagem), foi palco de mais um protesto previamente comunicado em redes sociais. Para ser mais específico, o Shopping Midway Mall foi o cenário para uma reação um tanto agressiva contra a entrada de um determinado grupo de pessoas no maior shopping do estado.

Segundo relatado anteriormente por alguns jornais locais, o protesto dos denominados "pintas" ocorreu em reação a uma proibição não formal da entrada de um determinado grupo de pessoas no estabelecimento, pois as mesmas haveriam causado confusão dias anteriores na praça de alimentação do Shopping.

O problema é que os "pintas" se sentiram ofendidos com a notícia e em um grupo de mais ou menos 50 pessoas, tentaram entrar no Midway Mall ontem a noite, quando foram reprimidos pelos seguranças e policiais militares de prontidão ao redor do Shopping. Revoltados com a ação, os "pintas" (segundo notícias vinculados a portais como: Via Certa Natal e Tribuna do Norte) atiraram pedras contra os seguranças e portas, chegando a quebrar vidraças. Em contrapartida, há relatos de que a polícia agrediu os manifestantes, chegando a quebrar câmeras e afastar jornalistas do local.

O saldo final? Doze manifestantes presos e dois policiais feridos, um deles encaminhado para o Hospital Clóvis Sarinho, em Natal. Os lojistas ainda afirmaram que tiveram a noite perdida, pois os clientes do Shopping, em sua grande maioria, foram embora após a confusão, com medo de serem vítimas de violência.

Bandidagem ou justa reação?

Nem precisa dizer que as redes sociais foram tomadas por grupos contra e a favor da manifestação. Apesar de alguns argumentarem que o foco é uma questão discriminatória, a esmagadora maioria acredita que o protesto foi coisa de vagabundo mesmo, que não tem o que fazer.

Acho interessante que todos crescemos com a ideia de que frequentar determinados lugares é coisa para "determinadas pessoas", por vezes nos questionamos sobre a verdadeira intenção da política de consumo, dos motivos que levam o sistema a deixar bem esclarecido quem é quem na camada social.

Foram-se os tempos em que shopping era coisa para ricos, mesmo criança, no meu caso, isso não existia mais. Apenas pessoas de classe mais baixa não se sentiam confortáveis para ir a esses lugares por entenderem que não teriam condições de se adaptar à um ambiente desse porte, ainda que por alguns momentos.

Alguns alegam que a repressão é justa devido ao ato de violência que ocorreu alguns dias antes na Praça de Alimentação do Shopping. Lendo a respeito, muito se fala e pouco se conclui. Mas a grande maioria afirma que se tratava de uma briga de gangues. Independente disso, TODOS nós sabemos que existe uma unidade opressora que busca de várias formas "apagar" a imagem do pobre dos meios consumistas. Um mendigo em um Shopping é quase tido como uma mancha em uma roupa linda e cara: precisa ser retirado o mais rápido possível. A reação carrega outros fatores: medo é um deles.

Estou falando tudo isso porque, confusão de gangues, brigas em lugares públicos e etc, não é coisa de pobre (isso todos sabemos) e muito menos coisa de rico: é coisa de humanos (descontrolados). Sejam pintas ou não, diversos marmanjos e até mulheres se engalfinham nas ruas por vários motivos, alguns deles até inacreditáveis. Por isso, eu pergunto: se um grupo de torcedores de um jogo do Brasil, bem vestidos na Praça de Alimentação do mesmo Shopping, começassem uma intensa baderna e quebra-quebra, seriam retirados do local? Certamente que sim. Mas seriam proibidos de retornar?

Toda forma de violência deve ser combatida, óbvio que sim. Expulsar de um ambiente privado qualquer um que incite a violência é uma reação justa e natural em favor do bem comum. Mas quanto preconceito e discriminação se carrega em um ato como o dos "pintas" no Shopping? Até onde vai o medo e o simples fato de não querermos essas pessoas por perto?

É interessante que o sistema cria modelos, separa a sociedade, mas depois não quer encarar as diferenças existentes nela mesma. Ainda acredito que proibir "pintas" (que não possui uma definição própria, mas carrega apenas características de cunho estiloso, sim, estão proibindo pessoas de bermudas, chinelos, bonés e mochila que de alguma forma lembrem os ditos cujos) também é proibir loiros, cristãos, gays, obesos, idosos, etc. Não se trata de tipo, mas de um fato isolado que pode ser evitado de várias formas.

Me assusta essa coisa do "proibir". Mesmo que a expulsão seja justa, acho que existe uma carga pesada de preconceito na atitude do Shopping, que, querendo ou não, está lidando com um grupo acostumado a ser reprimido de várias formas. Excluo da minha fala e do meu texto, os criminosos infiltrados na ação, para eles o discurso é outro, mas acho que é interessante atentar para o ponto que chegamos.

Será que se um grupo de obesos se agredirem nas dependências do shopping, esse grupo também será proibido de entrar?

Bom, já sei que após o movimento, os "pintas" tiveram acesso ao Shopping, ainda que a maioria dos clientes já tivessem ido embora. Mas a intenção de proibir é assustador.

Culpados? Existem vários. Desde o Governo medíocre que não dá acesso a todos terem o consumo que liberam em bombardeios na TV aos pais que muitas vezes abandonam a educação dos filhos por acharem que a vida os ensinará. A verdade é que, nesse ninho de cobras, alguém será picado. E o que está sendo reprimido hoje, infelizmente amanhã estará fazendo de refém em um ponto qualquer da cidade um parente nosso ou até nós mesmos. E aquele que o sistema se encarregou de apagar, obterá os holofotes sobre ele por alguns momentos que podem marcar uma sociedade para sempre.

Contra violência. Contra repressão. A favor da igualdade, mas acima de tudo, do bom senso. Sou contra o protesto, contra a proibição. Quem busca paz, precisa trazer a paz. Quem busca o terror, não deve viver em sociedade.

E você? O que acha? Violência ou reação à repressão?

=P

Um comentário:

  1. Má criação dos pais, e consequente bandidagem e comportamento de animais de circo (apenas imitam o comportamento do outro). O ambiente é privado e tem direito sim de coibir a entrada de pessoas que já manifestaram inúmeras vezes a vontade de fazer o mal, seja na praça de alimentação, seja nos banheiros, e até no cinema.

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