terça-feira, 6 de maio de 2014

OS "(IN)JUSTICEIROS" DO GUARUJÁ

Há dois anos atrás, no Rio de Janeiro, foi divulgado um retrato falado de uma suspeita de sequestradora de crianças para supostas práticas de magia negra. A imagem, que foi publicada pela polícia em 2012, voltou à tona em uma página do Facebook chamada "Guarujá Alerta" há poucos dias.

Os moradores do Guarujá, ao terem acesso ao retrato falado da tal criminosa, a associou imediatamente a uma moradora local chamada Fabiane Maria de Jesus, mãe de duas filhas, uma de 13 e outra de 1 ano de idade. Do dia para a noite, Fabiane se tornou uma criminosa em potencial na região e foi brutalmente espancada pelos moradores do Guarujá, morrendo em seguida por causa da gravidade dos ferimentos causados pelos socos e chutes que levou até mesmo de crianças, no meio da rua, à luz do dia.

Depois do ato de selvageria ter sido consumado, a notícia: Fabiane não tinha absolutamente nada a ver com a mulher retratada pela Polícia do Rio de Janeiro. Simplesmente foi confundida pelos moradores do Guarujá que, acreditando serem os donos da verdade, assassinaram a mulher que, possivelmente, sequer sabia o que estava acontecendo.

OS JUSTICEIROS DE QUEM?

Recentemente explodiram diversos casos de cidadãos que resolveram partir pra cima dos bandidos e fazer justiça com as próprias mãos, alegando que, se o poder público não exerce a segurança, eles o fariam para garantir a ordem. Sentimentos como "se fez tem que pagar" ou "bandido tem que morrer" já tomam conta de diversas grandes cidades do país e também no interior. Recentemente, no estado do Rio Grande do Norte, um homem foi brutalmente espancado por roubar um celular.

A sociedade está completamente desordenada, acreditando que, todo o devido processo legal, a possibilidade de defesa e diversos outros institutos jurídicos existem apenas para enfeitar o ordenamento jurídico brasileiro, mas não é. É justamente para impedir que uma Fabiane seja assassinada que O ESTADO possui o poder de investigar e esclarecer quem é o verdadeiro criminosos e qual é a punição adequada. Mas, por alegar descrença no poder público (mesmo que muitos deles nem saibam o que isso significa, e não por falta de estudo, mas por falta de interesse), animais resolvem atacar pessoas na ruas que se parecem com supostos bandidos.

Agora imagine você mesmo, saindo para trabalhar e sendo atacado por um grupo de pessoas, que viram a sua foto em uma rede social, alegando que você é um estuprador, um assassino ou um ladrão de picolé. Depois é espancado e ali mesmo, perde a vida.

Nesse meio tempo, outra coisa espanta, não faz muito tempo que uma famosa repórter apoiou, em rede nacional, o ataque a bandidos por parte da sociedade, sendo apoiada abertamente em redes sociais por pessoas incentivando atos de selvageria, como se a sociedade tivesse alguma condição de julgar quem é culpado ou inocente. Mas diante do caso de Fabiane, pouco se vê, pouco se fala, pouco se justifica.

E o Governo segue preocupadíssimo, mas com a Copa. Os brasileiros não estão nenhum pouco preocupados com as eleições de outubro. Mas a família de Fabiane sim, essa não sabe o que fazer com tanta injustiça. Quem sabe a Raquel Sherazade não dá uma nova opinião sobre o povo fazer justiça com as próprias mãos. Quem sabe o povo, antes de atacar inocentes, se interessa por algo mais produtivo, como aprender a votar, por exemplo.

E que esses (in)justiceiros paguem caro pelos seus atos animalescos.

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